Musica para Baixar

Friday, 30 de July de 2010

Criar uma cena de música livre? Porque não?

Publicado por Everton Rodrigues

Por Everton Rodrigues: http://www.brasilautogestionario.org/2009/12/14/criar-uma-cena-de-musica-livre-porque-nao/

logo-cdNos últimos tempos, tenho acompanhado de perto alguns debates sobre a música em seus diversos temas. No movimento Música Para Baixar temos discutido sobre produção, consumo, distribuição, circulação, divulgação, e recentemente surge com força o debate da necessidade de criarmos uma nova cena musical independente e sustentável, para qual marcamos um debate para o RJ no dia 17/12 às 16h na UFRJ.

Também é importante salientar que noto reações curiosas e contrárias quando defendemos criar uma cena da música livre no Brasil. Surpreendentemente, no seminário internacional do fórum de cultura digital brasileiro (18 a 21/11/2009), na  plenária do eixo economia da cultura digital, quando apresentamos  a proposta de existir fomento para a música livre através de editais, algumas pessoas que estão pensando a cultura digital, defenderam que não devemos obrigar ninguém a liberar suas músicas. Mesmo assim a proposta apareceu no relatório (http://culturadigital.br/seminariointernacional/2009/11/24/relatorias-das-plenarias-eixo-economia-da-cultura-digital/)

Certamente não devemos obrigar ninguém tomar qualquer atitude em qualquer área que seja, essa não é, e não foi a proposta apresentada. O fato de existir editais para produção e circulação através de festivais ou ações para a execução das músicas em rádios comunitárias não significa que iremos obrigar qualquer autor(a) a liberar suas músicas. Apenas participará dos editais e ações da música livre quem assim desejar, ou se estiver de acordo com a proposta apresentada.

Vale aqui afirmar algo que Leoni afirma: Toda e qualquer tentativa de controle de cópia de conteúdos no mundo digital é perda de tempo. Portanto, para aqueles que ainda pensam em sustentar-se com o velho e caduco modelo, está perdido… Fazer música livre já é e será ainda mais um requisito básico para os modelos de negócios em desenvolvimento.

Quem não liberar suas músicas pelo menos para baixar, estará na contra-mão de todas as tendências do setor.

Por outro lado, se é aceitável que 100% dos editais são para músicas não livres, porque não podemos equilibrar diferentes modelos de negócios e destinarmos pelo menos 50% desses editais financiados com dinheiro público para músicas livres de diferentes gêneros músicas?

Recentemente, li no blog do Leoni, um artigo escrito por Paulo Rebêlo (http://musicaliquida.blogspot.com/2009/12/pirataria-20.html), onde ele defende: “Você não paga pelo produto original, mas vai pagar pelo download ilegal. É a lei do mercado aplicada à risca pela indústria e pelos piratas”, ou seja, quem defende esse modelo atual da indústria, e quer criminalizar quem baixa musicas está forçando a organização de sistemas complexos de pirataria, então, num futuro próximos segundo ele,  vamos “comprar uma senha para ter acesso a uma rede privada, anônima, criptografada. Uma rede própria da “loja” ou de um pool de piratas organizados.” Novamente quem será prejudicados serão os autores, porque nós pagaremos pelo serviço de acesso e os autores nada receberão.

Os princípios da economia solidária estão ligados diretamente ao princípios da música livre, para formar redes, estimular e fomentar a formação de organizações autogestionárias no setor da música, dependerá-se necessariamente da compreensão da música livre, caso contrário será  apenas discursos regado a retóricas.

Por isso, o movimento música para baixar sistematizou 7 propostas para a Feira Música Brasil, que são:

1 – Jabá é crime, quem o pratica deve ser punido, quem paga para tocar deve ser criminalizado, rádio que veicula programação mediante favorecimento deve perder a concessão.

2 – Todo o bem cultural produzido, com financiamento público deverá ser distribuído em licenças e formatos livres para fins não lucrativos;

3 – Reformulação do mecanismo de cobrança e repasse do ECAD – mais transparência, maior controle social, fim da amostragem e não cobrar a execução feita por rádios comunitárias e projetos sociais.

4 – Reformar a lei de direitos autorais, através de consulta pública. Criação do Instituto Brasileiro do Direito Autoral.

5 – Liberdade na internet, ampliar a participação da sociedade civil no Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGIBR) – criar uma legislação que regule sua existência, composição e funcionamento. Garantir o acesso a banda larga como direito universal.

6 – Criar infra-estrutura pública de conectividade – banda larga – e hospedagem de conteúdos livres – agregador com interface de pesquisa com filtros e curadoria colaborativa para indexação e classificação das músicas.

7 – Quem baixa música não é pirata, é divulgador! Semeia gratuitamente projetos musicais. Por isso, não concordamos com a idéia de criminalizar quem baixa músicas sem fins lucrativos.

E, no dia 17 de dezembro estaremos no RJ para debater essa nova cena da música independente. Participe!

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“Diálogo: Como construir uma cena da música independente sustentável?

A partir da afirmação, “Um mundo acabou. Viva o mundo novo!” presente no manifesto música para baixar, é que devemos refletir, aprofundar e projetar uma nova cena da música independente no Brasil, que se adapte às novas tecnologias e reúna criadores, produtores e usuários da música, com disposição e atitude para coletivamente construir novos modelos de negócios viáveis e sustentáveis para os tempos em que vivemos.

As ideias que apoiamos necessitam de tempo para se disseminar, e nós, que vivemos de música, não podemos esperar de braços cruzados enquanto a indústria e as leis não se adaptam à nova realidade. Baseados nos preceitos do movimento Música Para Baixar, temos que criar, hoje, uma cena alternativa. Como o antigo sistema ruiu e não funciona mais para ninguém, sejamos os criadores da nova realidade, os líderes da viagem ao novo mundo, a alternativa real. A tecnologia nos deu as ferramentas necessárias para essa tarefa, que, cada vez menos, necessita de intermediários entre artistas e público. Temos feito isso sozinhos. Agora, vamos fazê-lo juntos.

Vamos reunir ideias de artistas, produtores, consumidores e pensadores para formar novos públicos e oferecer outras formas de criação e consumo de música. Queremos fortalecer uma nova cena que seja economicamente sustentável para se contrapor ao modelo que recebemos.

Para esse diálogo estão convidados:

- Leoni / Movimento MPB
- Tico Santa Cruz / Detonautas
- Fernando Anitelli / Movimento MPB / Teatro Mágico
- Everton Rodrigues / Movimento MPB, Software Livre / Teatro Mágico
- Marcos Sketch / For Fun
- Adriano Belisário – Pontão de Cultura ECO/UFRJ
- Bruno Levinson / Rádio MPB fm
- Walter Abreu – Showlivre.com

- Mario Broder e Sergio Granha – Farofa Carioca

Mediação: Professora Ivana Bentes, Diretora ECO/UFRJ

Data: 17 de dezembro
Horário: 16h
Endereço: Av. Venceslau Bras, n° 71, Fundos – Botafogo. Escola de Comunicação da UFRJ – Campus Praia Vermelha – Mapa – http://pontaodaeco.org/ como-chegar

O evento é aberto para todos os interessados
Transmissão ao vivo (streaming) – pontaodaeco.org

Realização: Movimento Música para Baixar
Apoio: Pontão de Cultura ECO/UFRJ”

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