A vingança das gravadoras
Publicado por Everton Rodrigues
Ponto de vista para fomentar o debate.
Por Osmar Lazarini
Desde as lambanças dos dirigentes e os velhos truques de números fantasmas ao mais recente anúncio de prejuízos de ordem bilionária.
Assistimos a patética perseguição ao download e os poucos “usuários-exemplo” aquem caçaram.
O que todos se esquecem é que nos anos das vacas gordas elas colecionaram pilhas de contratos interessantes, compraram a cabeça dos artistas com pagamentos adiantados. Além de vender CDs aos borbotões, cansaram de vender novamente o que já tinham vendido em LPs e CDs. Revenderam, requentaram, tanto “re-re-re” que se riram á toa.
Os artistas foram deixando-as, montando suas estruturas profissionais de carreira, digamos, se virando.
Mas devo esclarecer uma coisa:
- Os artistas não recuperam fácil os direitos sobre o seus fonogramas, se é que conseguem.
Foram muitos os pretextos pseudo-estratégicos e contratos vitalícios aos montes.
Com isso, as majors – que tem esse nome pomposo justamente por terem atividade em nível mundial-, guardaram o trunfo na manga: Centenas de milhares de fonogramas de qualidade separados por década, estilo, muitos desses muito bem trabalhados na mídia, à ponto de fisgar também os ouvidos novos .
Para todas as empresas que tenho perguntado como é a remuneração desse acervo todo das majors que tem sido usado nas dezenas de rádios e sites de música na internet, a resposta soa uníssona: – Temos um acordo com as gravadoras e pagamos uma taxa ao ECAD.
Resumindo, a briga pelo espaço ainda está rolando, e quem detém o poderio financeiro não tem pinta de perdedor.
Me lembra os lutadores de vale-tudo, o cara que estava quase estrangulado, requebra, torce o braço do outro e ganha a briga.
O resultado taí, só esse mês, vi surgir dois grandes sites de música online de catálogo requentado: Claro e Skol.
Já que o download ilegal ou legal é um fato, ponto final, não há como lutar contra. Já que não existe um produto físico que substitua essa realidade. Doa a quem doer – e quase sempre dói somente no autor – os acordos estão sendo feitos e estão sendo despejados os centenas de milhares de fonogramas. É como se uma biblioteca gigantesca desabasse soterrando milhares de aspirantes a uma carreira literária.
Assim está a música; se é isso que a audiência quer, assim seja .
Por aqui ninguém sente o sucesso do Spotify , ainda indisponível para o Brasil. Na Europa está sendo badalado como a melhor resposta contra o download ilegal que se teve notícia até hoje.
A dica veio de um seguidor no Twitter, o Dan . Inclusive a gente se encontra pelo mundo musical desde o tempo em que o Orkut era divertido. Ele edita o blog de viajante, Imaginariamente.
Foi ele que tratou de me providenciar logins de acesso diretamente de Londres.
O mecanismo é simples, não há restrições quanto a ouvir todo o acervo via streaming. As contas gratuitas são bancadas com ótima publicidade sem exageros. É aí que reside o “pulo do gato”- na ânsia pela monetização muitos serviços já foram destruídos.
Contas premium ao custo de 10 Euros/mês dão direito a ter o conteúdo off line também, ainda que restrinja a cópia desenfreada.
A grande diferença sobre tudo que já vi de streamings são a rapidez e qualidade incrível. Sem engasgos,as buscas respondem instantaneamente, o é acervo imenso. Clique e saia ouvindo. Era isso que estava faltando.
A tua conta é seu login, seu Spotify pode ser acessado via celular, iPhone, PC, etc.
É claro, se você é vivo, deve saber tim tim por tim tim que o 3G na Europa não é essa coisa decrépita pela qual pagamos fortunas por aqui, quando comparamos nossos preços com os irrisórios praticados lá fora, baixamos a cabeça.
Tudo bem, estamos mesmo sob a mira de todas as vinganças, baixamos até encher o HD. O país dos malandrões do conteúdo “gratuito”. Enquanto os serviços prediletos da pirataria enchem os bolsos com o conteúdo alheio, os brasileiros sentem na carne que o crime não compensa. O preço de estar sempre na ilegalidade e a chatisse de estar eternamente no fim da fila das boas novidades tecnológicas. Isso soa redundante neste blog, 1/3 do que publico tem data indefinida para chegar aqui.
Parece texto de quem é contra o download? Mas não é. Aliás sou partidário da turma do MPB, que prega uma tratamento menos criminal para quem baixa música, que busca um tratamento mais digno para o autor. Todos sabem que isto não está no cardápio da indústria cultural (sic!). Elas fazem o que sabem, quando estão perdendo perdendo terreno, bombardeiam se dó nem piedade e a arma não tem defesa: – Todas as músicas já lançadas, estão nas mãos deles.
Quem quiser se valer desse imenso manancial vai ter que reconhecer que baixar ilegalmente é gostoso, mas legalmente é muito mais fácil.
No Spotfy,dizem que é uma combinação de Spot com Identify, o que não falta é modelo de negócio, assinatura diária, mensal, anual, publicidade, venda de tracks, todas as alternativas e todas as músicas do mundo reunidas em um só ser e que já conseguir diminuir o número de downloads ilegais na Grã-Bretanha.
É não ou não é o futuro?
Para saber mais, recomendo também o blog “Na terra dos Vikings”.

10 February de 2010 as 10:21 pm
[...] http://musicaparabaixar.org.br/?p=611Para todas as empresas que tenho perguntado como é a remuneração desse acervo todo das majors que [...]
12 February de 2010 as 2:05 pm
Na verdade, as gravadoras que não fizeram nada até agora, estão na cola das grandes ideias de empresas de celular e internet. Mas isso não importa, boas ideias merecem vingar!
6 May de 2010 as 5:51 pm
Estamos no Brasil, mano, Nunca se esqueça disso. Tudo aqui, como na politica termina em PIZZZZA. Manda quem pode, obedece quem tem juizo. Ha 55 anos nao vejo nada de novo. O filme se repete, mudam apenas os atores. Os resquicios da ditadura estao por todos os lados. Seremos sempre uma Republica das Bananas e nunca um pais de primeiro ou segundo mundo. E isso ai, MULHER, CACHAÇA E FUTEBOL. Quer mais o que, PORRA???