Criar uma cena de música livre? Porque não?
Publicado em 14/12/2009 por Everton Rodrigues
Por Everton Rodrigues: http://www.brasilautogestionario.org/2009/12/14/criar-uma-cena-de-musica-livre-porque-nao/
Nos últimos tempos, tenho acompanhado de perto alguns debates sobre a música em seus diversos temas. No movimento Música Para Baixar temos discutido sobre produção, consumo, distribuição, circulação, divulgação, e recentemente surge com força o debate da necessidade de criarmos uma nova cena musical independente e sustentável, para qual marcamos um debate para o RJ no dia 17/12 às 16h na UFRJ.
Também é importante salientar que noto reações curiosas e contrárias quando defendemos criar uma cena da música livre no Brasil. Surpreendentemente, no seminário internacional do fórum de cultura digital brasileiro (18 a 21/11/2009), na plenária do eixo economia da cultura digital, quando apresentamos a proposta de existir fomento para a música livre através de editais, algumas pessoas que estão pensando a cultura digital, defenderam que não devemos obrigar ninguém a liberar suas músicas. Mesmo assim a proposta apareceu no relatório (http://culturadigital.br/seminariointernacional/2009/11/24/relatorias-das-plenarias-eixo-economia-da-cultura-digital/)
Certamente não devemos obrigar ninguém tomar qualquer atitude em qualquer área que seja, essa não é, e não foi a proposta apresentada. O fato de existir editais para produção e circulação através de festivais ou ações para a execução das músicas em rádios comunitárias não significa que iremos obrigar qualquer autor(a) a liberar suas músicas. Apenas participará dos editais e ações da música livre quem assim desejar, ou se estiver de acordo com a proposta apresentada.
Vale aqui afirmar algo que Leoni afirma: Toda e qualquer tentativa de controle de cópia de conteúdos no mundo digital é perda de tempo. Portanto, para aqueles que ainda pensam em sustentar-se com o velho e caduco modelo, está perdido… Fazer música livre já é e será ainda mais um requisito básico para os modelos de negócios em desenvolvimento.
Quem não liberar suas músicas pelo menos para baixar, estará na contra-mão de todas as tendências do setor.
Por outro lado, se é aceitável que 100% dos editais são para músicas não livres, porque não podemos equilibrar diferentes modelos de negócios e destinarmos pelo menos 50% desses editais financiados com dinheiro público para músicas livres de diferentes gêneros músicas?